Teste de qualidade: segurança para revenda e cliente |
Por Thamires Tancredi, para Revista Posto Avançado, do Sulpetro (novembro/2009)
Porto Alegre - Desde 2000, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabelece a obrigação de que os postos realizem testes de qualidade nos combustíveis para consumidores que requisitarem esse direito. No dia a dia da revenda, a realidade é outra: dificilmente alguém solicita o teste de proveta e do densímetro, ou com o aferidor, que avalia se a quantidade de combustível abastecido confere com o que está registrado na bomba medidora. Desconhecimento dos direitos, falta de tempo e confiança no posto são alguns dos motivos que fazem o cliente não solicitar as avaliações.
É direito do consumidor solicitar, sempre que julgar necessário, que o posto realize testes nos combustíveis. A análise, que deve ser feita no momento em que for solicitado, na frente do cliente, é garantida pela Resolução 9/2007, da Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Mesmo assim, são raros os pedidos e a falta de conhecimento do direito é atestada pelos revendedores. “Nunca me ocorreu de alguém pedir. O que já aconteceu é de eu propor fazer quando há alguma dúvida. Para mim, é uma questão de credibilidade com o cliente realizar o teste”, conta o sócio-proprietário da rede de postos Podium, de Porto Alegre, Sadi Tonatto. No ramo há 17 anos, o revendedor comenta que as pessoas não reparam nem mesmo no termodensímetro de leitura direta da qualidade, instalado nas bombas medidoras de álcool AEAC (etanol), que precisa ser aprovado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). “O cliente, de fato, não olha o equipamento”, depõe Tonatto, que trabalha com a bandeira Petrobras.
Revendedor há 15 anos, João Carlos Dal’Aqua comenta que os testes eram mais solicitados logo após a divulgação da obrigatoriedade por veículos da imprensa “Quando o carro apresenta algum problema e, na oficina, o mecânico discute a qualidade do combustível, o consumidor costuma solicitar a avaliação. Também há casos de um posto na região ser denunciado e as pessoas ficarem alertas sobre o teste. Mas, em geral, há pouco questionamento. O cliente confia no posto. São poucos que pedem, mas quando acontece, realizamos na hora”, explica Dal’Aqua, proprietário dos postos Pegasus, de Porto Alegre, bandeira Ipiranga.
Para as distribuidoras, a pressa ao frequentar as revendas e a falta de interesse no assunto são motivos que levam o consumidor a não pedir a aferição. A coordenadora de combustíveis e lubrificantes da BR Distribuidora, Izabel Tereza Lacerda Dutra, acredita que “após ter vivido alguma experiência ruim, decorrente de abastecimento do veículo”, as pessoas acabam valorizando mais os testes. Sérgio Viscardi, gerente do departamento técnico da Ipiranga, diz que quando eram promovidas campanhas sobre o direito do consumidor de solicitar as análises, havia maior demanda. “É possível que o cliente não se sinta à vontade para solicitar o teste, pois não sabe o que deve cobrar em termos de qualidade”, aponta Viscardi.
O teste de proveta é feito para medir a quantidade de etanol na gasolina, fixado em 25%, com margem de tolerância de 1% para mais ou para menos. A Resolução ANP 9/2007 indica uma solução a ser usada durante os testes, que consiste em misturar 100g de sal para cada um litro de água. Em uma proveta de vidro de 100ml, são colocados 50ml de gasolina e 50ml da solução. Para misturar os produtos, é preciso realizar dez inversões seguidas da proveta. Depois de 15 minutos de repouso, é necessário anotar o acréscimo da camada aquosa (álcool e água), que fica na parte inferior da proveta. O aumento em volume da parte aquosa será multiplicado por dois e adicionado mais um.
Os testes que podem ser solicitados pelo consumidor verificam aspectos visuais, coloração, densidade e massa do combustível, além da quantidade de álcool (etanol). O cliente da revenda ainda pode solicitar que a quantidade do produto que está sendo abastecida seja aferida, se está de acordo com o volume apresentado na bomba medidora. O procedimento consiste em retirar 20 litros do produto no aferidor (medida padrão), com tolerância de
100 ml para mais ou para menos, o que corresponde a 0,5%. A análise é normatizada pelo Inmetro.
O posto que não possuir os equipamentos necessários à verificação da qualidade, quantidade estocada e comercializada dos produtos poderá ser multado no valor de R$ 5 mil a R$ 50 mil, conforme a ANP.
Postos certificados
Segundo a edição de outubro último do Boletim Mensal da Qualidade dos Combustíveis Líquidos Automotivos Brasileiros, publicado pela Agência, das 15.797 amostras de combustíveis analisadas no mês, 346 (2,2 %) apresentaram não conformidades. O Rio Grande do Sul é um dos Estados com menor índice de não conformidade na gasolina, onde somente 0,5% das amostras analisadas estavam não conformes.
Por meio do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis, criado em 2006, a ANP fiscaliza os produtos oferecidos pelas revendas em 23 estados. Com os dados coletados, produz o Boletim, que auxilia no mapeamento e combate das não conformidades. A Agência é auxiliada por laboratórios de universidades e institutos de pesquisa. No Estado, a conveniada com a ANP é a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), que compartilha seus laboratórios para a análise dos derivados de petróleo. Coordenador do Centro de Combustíveis, Biocombustíveis, Lubrificantes e Óleos (Cecom) da Universidade, o professor Dimitrios Samios conta que são visitadas todas as revendas do Estado. “Recolhemos amostras, fornecida pelos postos, e avaliamos a qualidade dos combustíveis. Os testes são realizados de acordo com as normas internacionais e nacionais. São, pelo menos, 30 análises diferentes”, explica Samios. O convênio com a ANP existe desde 2000.
As distribuidoras também possuem ações para avaliar a qualidade dos combustíveis. Através do programa De Olho no Combustível, laboratórios móveis percorrem os postos da Petrobras conduzidos por técnicos químicos que realizam análises em campo nos combustíveis. “Os profissionais do programa capacitam os responsáveis não só pela comercialização dos produtos, mas também pelo recebimento, manuseio e armazenagem. Eles também verificam o atendimento aos requisitos de qualidade necessários para a certificação do posto”, explica a coordenadora de Combustíveis e Lubrificantes da Petrobras Distribuidora, Izabel Tereza Lacerda Dutra.
Com a iniciativa, em vigor desde 1996, são realizadas, em média, 2.500 visitas técnicas por mês às revendas. “Dessa forma, é possível comprovar a qualidade do combustível e sensibilizar tanto o consumidor final, mostrando o problema da adulteração e seus prejuízos, como o revendedor, estimulando os parceiros fiéis e promovendo novas adesões”, enfatiza a coordenadora.
Na distribuidora gaúcha Charrua, os testes de qualidade são realizados em todos os postos da rede desde 1997. O analista do Controle de Qualidade de Combustíveis da empresa, Luiz Carlos Kowalski, explica que as visitas às unidades não têm prévio agendamento. “Ao final da avaliação realizada no último posto da rede, reinicia-se o ciclo de vistoria dos analistas”, esclarece. A Charrua também verifica, no Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC), as três últimas notas fiscais, referentes à compra de todos os produtos disponíveis na revenda. São visitados de dois a três postos por dia.
O procedimento é semelhante ao da distribuidora Megapetro, que costuma conferir o estoque e a numeração das bombas com as compras realizadas. “Independentemente da qualidade, as quantidades também precisam ‘bater’ com o que foi comprado”, esclarece o diretor da empresa, Juarez Francisco Nonemacher.
Sem aviso prévio, os Veículos de Controle de Qualidade (VCQs) da distribuidora Ipiranga visitam os postos desde 1996 e realizam, em média, 1.500 testes por dia. “Os técnicos aproveitam a oportunidade para ministrar treinamentos ‘On the Job’ aos funcionários que prestam atendimento, ensinando sobre as características dos produtos da empresa”, conta o gerente do departamento técnico, Sérgio Viscardi.
Na distribuidora Latina, “o funcionário responsável coleta amostra dos produtos, verifica as especificações e compara com o laudo emitido pela empresa quando da entrega do mesmo”, explica o coordenador de Operações, Evandro Pereira.
Teste do teor de álcool etílico anidro (etanol) combustível (AEAC) na gasolina
- Colocar 50 ml da amostra na proveta de 100 ml, previamente limpa, desengordurada e seca
- Adicionar cuidadosamente a solução aquosa de cloreto de sódio (NaCl) a 10%, deixando escorrer pelas paredes internas da proveta, até completar o volume de 100 ml
- A preparação da solução aquosa de cloreto de sódio a 10% deverá ser realizada diluindo-se 100 g de sal em um litro de água
- Tampar e inverter a proveta por pelo menos dez vezes, evitando a agitação enérgica, para completar a extração do álcool para a fase aquosa (álcool na água)
- Deixar repousar por quinze minutos ou até a separação completa das duas camadas. O percentual de álcool na amostra de gasolina pode ser facilmente calculado, sendo:
V = Percentual em volume de AEAC na gasolina
A = Aumento da camada aquosa
Resultado: V= (A x 2) + 1
Exemplo
Suponha que a altura da camada inferior (álcool e água destilada) seja 62 ml.
Subtraindo-se 50 ml de água destilada, chega-se ao volume de 12 ml de álcool anidro.
Multiplicando-se este último valor por dois e somando mais um, obtém-se 25 ml ou 25% de álcool em 100 ml de gasolina comum.
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). www.anp.gov.br
Teste da massa específica da gasolina a 20ºC
- Encher a proveta de um litro. Mergulhar o densímetro limpo e seco na proveta, de modo que ele flutue livremente sem tocar o fundo ou as paredes da proveta.
- Introduzir o termômetro na amostra, tendo o cuidado de manter a coluna de mercúrio totalmente imersa. Uma vez estabilizada a temperatura, mantendo o termômetro imerso na gasolina, efetuar a leitura e anotar.
- Fazer a leitura do densímetro e do termômetro, no plano da superfície do líquido. Em seguida consultar a Tabela de Conversão das Densidades da Gasolina. Esta tabela converte a densidade para 20ºC.
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). www.anp.gov.br
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| Por: Thamires Tancredi |
| Data: 05/01/2010 |
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